quinta-feira, 28 de abril de 2016

Oficina de Artes Cênicas - O Espelho



Oficina Artes Cênicas - O Espelho
SESC Campos -

de 5 a 26 de maio - das 15 às 18h
Tendo o Espelho como elemento cênico desenvolver uma pesquisa no universo surrealista do dramaturgo Espanhol Fernando Arrabal tendo como pano de fundo os textos: Fando e Lis e Guernica.
Com o ator poeta e Diretor de Teatral: Artur Gomes





segunda-feira, 18 de abril de 2016

camões lampião


CAMÕES / LAMPIÃO

camões ao habitar-se
no olho cego
sentia-se íntimo,
mais interno,
do que ao habitar-se
no olho aberto.

lampião ao habitar-se
nos dois olhos
a eles dividia:
o olho aberto matava
e o outro se arrependia.

camões ao habitar-se
no olho cego
polia as palavras
e usava-as absorto
como se apalpasse
e possuísse o próprio corpo.

lampião ao habitar-se
o olho cego
chorava os mortos
do seu interno,
mas o olho aberto
era casto
e via no matar
um gesto beato.

camões ao habitar-se
no olho aberto
via-se todo ao inverso
(pelo lado de fora)
mas rápido se devolvia
e fechava o olho aberto
pra ser total a miopia.

lampião ao habitar-se
no olho murcho
via o olho aberto
estrábico e rústico
e compreendia
o olho aberto
mais murcho
que o olho cego.

camões ao habitar-se
no olho murcho
via o mundo claro
dentro do escuro
e o olho aberto
era inútil
ao habitar-se
no olho murcho.

lampião
atrás dos óculos
sentia-se acrescido, somado
e era mais lampião
naqueles óculos de aro.

os óculos
lhe eram binóculos
íntimos sobre a miopia
e quando os óculos tirava
lampião se decrescia:
o olho cego somava
e o aberto diminuía.

camões molhava a pena
como se no tinteiro
molhasse o olho cego
e tateando, cuidadoso,
saía do seu interno.

(no tinteiro as palavras
em forma líquida
juntam-se uma a uma
à retina, à pupila).

camões
escrevia com o olho cego
por senti-lo mais seu
do que o olho aberto
e por poder o olho cego
infiltrar-se, ir mais dentro
e externar o seu inverso.

  


Sérgio de Castro Pinto nasceu em João Pessoa, EM 1947. Publicou Gestos lúcidos, A Ilha na ostra, Domicílio em trânsito e outros poemas, A Quatro mãos, Zoo imaginário e O Cristal dos verões, todos de poesia, além de Os Paralelos insólitos, Longe daqui, aqui mesmo – a poética de Mario Quintana e A Casa e seus arredores, livros de ensaio. É jornalista profissional e professor de Literatura Brasileira da Universidade Federal da Paraíba.


Camões/Lampião - poema vencedor do II° FestCampos de Poesia Falada - Campos dos Goytacazes-RJ evento criado por Artur Gomes  em 1999, e coordenado por ele até 2004. incluído na Antologia os 1000 Melhores Poemas do Século 20 - Org. José Nêumanes Pinto.

domingo, 17 de abril de 2016

são saruê 5



são saruê 5

o olho caolho de lampião
me espreita na empreitada
dentro da roça de algodão

não sou filha de são joão
nunca tente me iludir

juro que sou safada

mas
não  coloco azeitona na empada
do filha da puta do coronel
que tentar me seduzir


Federika Lispector

a coincidência mineira






a coincidência mineira

deputados cínicos e fascistas
travestidos de democratas
insuflados por escravocratas
como um mineiro das Neves
apalavrado por Bicudo
transformam dignidade
em uma lata de lixo
ao bel prazer:  impunimente
articulando um  GOLPE
descaradamente
como se o Brasil fosse habitado
exclusivamente por dementes
e não percebesse que a trama
no bastidor foi engendrada
pelo seu vice-presidente
com a idêntica traição
que esquartejou  Tiradentes

Federika Lispector

sexta-feira, 15 de abril de 2016

são saruê 4



são saruê 4

são bento dos anjos
que me proteja
da cachaça da cerveja
de todo vento que sopra
às margens do são francisco
por todo peixe que arrisco
encarar de cara o curisco
o coronel e sua tropa
na velha são saruê

Artur Gomes II

made in canalhice



made in canalhice

neste país de comício
difícil é quem escapa
das promessas falsas

e o povo no cadafalso
defendendo seu peixe frito
sua farinha de mandioca

liberdade liberdade
foi enforcada com Tiradentes
 os Silvérios dos Reis sobreviveram

hoje são os banqueiros
os empresários da fiesp
os pelegos sindicais

o Brasil hoje não tem mais
um Glauber Rocha
um Nelson Pereira dos Santos

só pastores travestidos de santos
muito mais pra satanás
e a justiça do supremo
: tanto fez como tanto faz.

Artur Gomes

sexta-feira, 8 de abril de 2016

formigueiro


formigueiro

o coração selvagem
voa na vertigem do dia
ícaro pousado sobre algaravia

uma formiga desce
pela parede do quarto
onde vejo a câmera oculta
a espera de romper a luz

metáfora acesa
passeia pelo lado esquerdo
dessa uva roxa

mar de búzios
água de sal lambendo as coxas


Artur Gomes

FULINAÍMA Produções
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