quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

insurgente


vento mar ventania - foto: artur gomes


Ainda que só reste o sopro 
                          desta hora 
e o seu gemido; ainda
que nos rosne o fetiche
da glória
ensanguentada, 
o amor insurgente
doma a cólera
               dos ventos.
 
As coisas farejadas pelo
desejo
querem vir ao sol
comer sonhos vivos.
São tropéis de relâmpagos
na carne. Cacos de um céu
furta-cor, inconsútil, ante
a convulsão das tripas ocas
e o tráfico de abismos.

Parido
desde a jaula do peito, 
o real devora o conceito.


SALGADO MARANHÃO

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