quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

a traição das metáforas







A Traição das Metáforas

1.      enquanto as palavras gritam seu silêncio no fundo do poço eu digo que não calo falo que dois mil e treze já chegou como cachorro louco mesmo não sendo ainda agosto a fera vozifera entre quatro paredes suas bestialidades querendo o aplauso que não tem federika está de rosa trazendo na bandeira a velha sigla: não sou da lapa e não me peçam enredo novo nas escolas para o próximo carnaval


2.    viver é um poema processo me disse moacy cirne no balaio vermelho quando matou chico doido de caicó cinelândia em polvorosa na noite do velório federika nua engarrafava o trânsito na porta do teatro municipal enquanto no presídio federal dos goytacazes macabea ensaiava em vão a estrela que não sobe federico roubava a cena nas escadarias da câmara dos vereadores com baudelaire em sua lira do delírio: entre a pele e a flor no asco com meia sola no sapato meu vapor mais que barato industrial e infonáutico entre a pele de zinco e o cabelo mar de indecifrável plástico por ente os bronzes do teu pelo entre a flor e o vaso de barro na home page ou no carro na camisinha de vênus vírus h corroendo em vita plus ou na sala meu olho gótico TVendo brazilírica lâmpada fala por um fio ou tanto quase cento e dez em cada fase não sendo assim acaba sendo debaixo da saca a escada torta pássaro sem teto acima do delírio coração de porco crava no oco da noite a faca cega punhal de cinco estrelas na constelação do cão maior por onde úrsula nua passeia dédala de dandi deusa de dali lua de dadá no coração do pintor sem fronteiras debaixo do pé de abóbora acima do pé de cajá malásia não é aqui espanha não alé mar salvador não é dali itamarati itamaracá constelação ursa menor pra dadá meu coração pra dedé não sou cantor quando quero quero mesmo espuma nylon pele tecido isopor


3.      onde a estética é estrada estanque eu grito federico baudelaire passeia como  pimenta do planeta azeite para o acarajé que você não consegue digerir em salvador in chamas salgado mar de fezes farol da barra ainda canta castro alves enquanto por aqui o esgoto entra na cidade pela porta de frente macabea tenta mais uma vez enganar o padre que não sabe dizer missa pão e hóstia não combinam com confete e serpentina e viver é um poema processo moacy há quanto tempo já me disse muito antes dos retalhos imortais aportarem no porto das garrafas santo andré ainda nem sonhava com o assassinato do celso daniel enquanto federico tenta colocar em ordem a bateria da mocidade independente zeca baleiro canta: é mais fácil mimeografar o passado que imprimir o futuro.


Artur Gomes


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