quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A Traição das Metáforas 8




A Traição das Metáforas 8


um cavalo marinho cavalga entre as suas coxas federika não conseguia
conter o êxtase dentro do mar de búzios cada jogo era gozo em profusão como uma menina em seu primeiro cio com receio olhou a praia quando viu macabea oculta entre o ciúme os mariscos tentando esconder-se na areia molhada depois da primeira arrebentação quando o veneno de um ferrão de arraia atravessou a porta do assombradado federika sorriu feliz agora com peixes multi coloridos passeando em sus costas entrando pelos poros como quem acende o fogo em todos os cantos escuro da casa seu corpo iluminado  uma constelação celestial ali naquele mar de ostras em que ela sonha dar a luz um dia




A Traição das Metáforas 9


mc brinca de mal-me-quer bem-me-quer o mistério está dentro do corpo quando pulsa nas duas letras do alfabeto sem gramática qual será a pétala que  desfolharei entre os seus dedos m desconfia da santíssima trindade pai filho espírito santo c tem o signo de gêmeos tatuado nas costas ao lado do ombro esquerdo quando nua se instala diante do espelho para ver o quando no seu  corpo cresce um girassol entre os joelhos a rosa púrpura do cairo m tem uma borboleta na ponta do nariz e se assusta quando nas entrelinhas do poema falo do segredo







A Traição das Metáforas 10

mc tinha uma flor na boca quando a encontrei dentro do cerrrado no planalto central do país quando me viu m colocou a flor do lado esquerdo do rosto c me arrastava nas asas do avião para o outro lado da ponte do lago zul onde lourenço de bem inaugurava sua última instalação concreta lilia diniz cozinhando doce de goiaba como fazia cora coralina e no meu colo alice me chamava de pai e carinhosamente me beijava a orelha direita enquanto engels espíritos sacava da trincheira seu portifólio de gaitas e num sopro sioux selvagem estremeceu o mar de árvores toras onde m me esperava já com a flor no umbigo e com suas unhas vermelhas c cantarolava por enquanto vou te amar assim admirando teu retrato pensando a minha idade e o que trago da cidade embaixo as solas dos sapatos

Artur Gomes                     

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