terça-feira, 29 de novembro de 2011

o mundo ronca



entre o que fala
e cala
a cara
abre-se
dentro da
madrugada
desperta
aperta o nó
e segue
alerta
contra o som
do que não veio
o silêncio
grita entre
a janela e a porta
e no quintal dos fundos
o mundo ronca
sobre tudo
aquilo
que não tenho

arturgomes

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

entredentes 3



olhei a cara do tempo
ela estava fechada
não me dizia nada
pensei as sagaranagens
que o tempo fazia comigo
peguei do tempo o umbigo
cortei na ponta da faca
e a tua cara de vaca
sangrei sem nenhum remorso
porque isso o tempo n]ao tem
agora o tempo sorri
me mostra os dentes de boca
e tua cara de louca
é a minha cara também

arturgomes