domingo, 20 de fevereiro de 2011

Divinas Musas Que se Foram mas Ficaram para Sempre

nem só da minha cannon são as musas que me encantam, mas todas aquelas mulheres que não vieram a vida a passeio vieram para deixar suas marcas por aqui, indeléveis ou profundas, estas duas aqui, passaram rápido deixando na gente aquele gosto de querer mais, Elis, embalou-nos dos anos 60 ao início dos anos 80, Cássia um tempo depois já nos eletrizantes anos 90 não
deixou pedra sobre pedra e como um raio um trovão relâmpago tempestade invadiu com sua voz e intrepretações singulares todos os tímpanos do país. tive a oportunidade de vê-la ainda em seu iníco de carreira, só com a voz e o violão num bar em Macaé, levar o público ao delírio tocando e cantando um Jimmi Hendrix, que na certa o faria muito feliz se tivesse ali presente para vê-la e ouví-la. Cássia Eller é sem dúvida a grande musa da moderna música popular brasileira.




Romaria
Elis Regina
Composição: Renato Teixeira

É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu perdido
Em pensamentos
Sobre o meu cavalo

É de laço e de nó
De jibeira o jiló
Dessa vida
Cumprida a só

Sou caipira, pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida (2x)

O meu pai foi peão
Minha mãe solidão
Meus irmãos
Perderam-se na vida
À custa de aventuras

Descasei, joguei
Investi, desisti
Se há sorte
Eu não sei, nunca vi

Sou caipira, Pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida (2x)

Me disseram, porém
Que eu viesse aqui
Prá pedir de
Romaria e prece
Paz nos desaventos

Como eu não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar
Meu olhar

Sou caipira, pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida (2x)


ILUSTRADA 50 ANOS: 2001 - Morre Cássia Eller, maior voz do país

"Cantora era a maior voz feminina do Brasil", assinado por Pedro Alexandre Sanches, foi publicado originalmente domingo, 30 de dezembro de 2001.

Até ontem, ela era a maior voz feminina viva do Brasil. Desde o finalzinho do mesmo dia de ontem -que ano é este de 2001, que não acaba nunca?-, entrou para a galeria notável de vanguardistas que abandonam a luta cedo demais, por razões provavelmente imbecis.

O papo de "maior voz feminina" parece balela para homenagear, sob alto impacto, quem acabou de morrer. Não é o caso, desta vez. Quem está ligado na cena sabe muito bem que não havia páreo para Cássia Eller. Marisa Monte, a mais equipada para lhe fazer sombra (e que de fato fazia, se pensarmos em termos comerciais), no conjunto ficava léguas atrás de Cássia, por ser mais calculista, menos confessional, mais matemática, menos artista. Bethânia, Gal, Elza e divas antigas assim não teriam como ter, para a longa década de 2000, um centésimo da importância que Cássia nem começara a ter.





Cássia Eller realiza apresentação; cantora morreu aos 39 anos em dezembro de 2001

Porque ela foi, no curto tempo que aqui passou, conjugação explosiva de uma voz trovejante; de um senso raro de interpretação; de um conhecimento musical tão gigante quanto intuitivo; de uma personalidade aparentemente tímida e retraída, mas eloquente demais quando em cima de um palco; não só isso, mas muitas coisas ainda. Ela tinha que ficar, não podia ir embora.

Mesmo só gozando de pleno reconhecimento comercial há pouco -por causa do "Acústico MTV"-, Cássia foi a dona dos rápidos anos 90, essa década tão desgraçada pelo achatamento que a grana e o imediatismo impuseram à gana, ao talento, à arte. Não é por falta de simbolismo que Chico Science, outra das jovens esperanças musicais brasileiras, morreu nesses mesmos e hoje dolorosamente asquerosos anos 90.

Não há que questionar a trajetória pessoal de Cássia. Ela passou boa parte de sua história pública -iniciada em disco em 1990, após muita e muita e muita labuta por baixo dos panos da nossa indústria do disco - se enclausurando nas canções de dois de seus ídolos, Renato Russo e Cazuza. Se havia algo em Cássia que os procurava, mesmo morbidamente, não nos compete julgar. A dor, a imensa dor, é porque ela era a ilusão de ser uma de nossas tábuas de salvação, num país apodrecido por nomes que seria desrespeitoso citar por aqui.

Se ela fechará um triângulo de dor com dois de seus ídolos mortos precocemente, já nem é mais de nossa conta. O fato é que Cássia teve outros, muitos outros, dezenas o centenas de outros ídolos.

Desde 90, ela abrilhantou, mesmo quando se equivocava, canções velhas ou inéditas de Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, Luiz Melodia, Ataulfo Alves, Djavan, Rita Lee, Lennon & McCartney, Jimi Hendrix, Gilberto Gil, Raul Seixas, Chico Buarque, Caetano Veloso, Lobão, Tião Carvalho, Riachão, Nando Reis, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Mutantes, Nação Zumbi, RPM etc. etc. etc. Sempre lhes acrescentava uma nova miragem, algum novo preceito, qualquer nova cor.

Sua jovem carreira de estrela já pendurava problemas, é verdade. Notada (com total justiça) como animal fogoso de palco, passou a ser instada a gravar cada vez mais discos ao vivo. Entrou no círculo vicioso da rentabilidade com sua gravadora, a voraz Universal, que vê aqui mais uma de suas apostas se desfazendo em tristes cinzas.

O investimento parece perdido também porque Cássia, no apetite de sua gravadora pela redundância, deixou menos variedade do que o troncudo potencial faria supor. Só a mais famosa canção de seu repertório, "Malandragem" (de Cazuza e Frejat), ela gravou três vezes em seis anos. Era jovem demais para tamanha redundância, e essas coisas afinal também podem fazer mal à saúde.

"Malandragem" ficou massificada demais, mas há de ser por seus versos cândidos ("quem sabe eu ainda sou uma garotinha/ esperando o ônibus da escola") que Cássia Eller será para sempre lembrada. Talvez com esse mesmo hino ela dance no éter, com Dolores Duran, Elis Regina e Clara Nunes, a ciranda da juventude perdida. Não, Deus não é brasileiro.


Só as Mães São Felizes
Cazuza e Frejat - gravada por Cássia Eller no Disco Veneno antimonotonia numadas interpretações mais sensacionais de sua discografia

Você nunca varou
A Duvivier às cinco
Nem levou um susto
Saindo do Val Improviso
Era quase meio-dia
No lado escuro da vida
Nunca viu Lou Reed
"Walking On The Wild Side"
Nem Melodia transvirado
Rezando pelo Estácio
Nunca viu Allen Ginsberg
Pagando michê na Alaska
Nem Rimbaud pelas tantas
Negociando escravas brancas
Você nunca ouviu falar em maldição
Nunca viu um milagre
Nunca chorou sozinha num banheiro sujo
Nem nunca quis ver a face de Deus!
Já freqüentei grandes festas
Nos endereços mais quentes
Tomei champanhe e cicuta
Com comentários inteligentes
Mais tristes que os de uma puta
No Barbarella às quinze pras sete
Reparou como os velhos
Vão perdendo a esperança
Com seus bichinhos de estimação e plantas
Já viveram tudo
E sabem que a vida é bela
Reparou na inocência cruel das criancinhas
Com seus comentários desconcertantes
Adivinham tudo
E sabem que a vida é bela
Você nunca sonhou
Ser currada por animais
Nem transou com cadáveres?
Nunca traiu seu melhor amigo
Nem quis comer a sua mãe?
Só as mães são felizes...

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