quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

veracidade

http://collagensfulinaimicas.blogspot.com




Porque trancar as portas
tentar proibir as entradas
se eu já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas?
um beija flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável
eu tenho fome de terra
e este asfalto sob a sola dos meus pés:
agulha nos meus dedos

quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo
entre o real e o imaginário:
João Guimarães Rosa Martins Fontes Caio Prado
um bacanal de ruas tortas
eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na cacomanga
matagal onde nasci
com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada
na carne da rua aurora

Artur Gomes SampleAndo
http://artur-gomes.blogspot.com/

sábado, 11 de dezembro de 2010

porrada lírica




Fulinaimagem


1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais

e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas dde amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim adimirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

arturgomes
http://goytacity.blogspot.com

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

pele grafia

da tua boca quero o beijo
desejo
que não seguro

já te perdi no passado
agora te tenho presente
mas não sei nosso futuro

do teu corpo
quero o cio
como nas prais do rio
seja mar onde quiser

na tua língua
a voragem
com toda sagaranagem
que entre teus seios
couber

que venha o sangue suor o fluxo
no teu pulsar onde pulso
nas ondas do teu impulso
esteja mar
onde estiver.

arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com/

meta metada







metade
da minha arte
tem tua mão
como meta
como parte
da linha reta
que a meta
da tua parte
pode ser
que esteja em marte
ou sendo terra
o planeta
onde deságua no rio
a água
que bebo
com sede
estando em
física ou quântica
e a tua
mão como parte
metade da minha meta
mesmo relatividade
da minha arte
a metade
junta na tua parte

arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/