segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Com quantas metáforas se faz uma miragem











ainda que fosse viagem
de metrô ou fantasia
e o assunto que eu mais queria
fosse o que não dissesse
e o mar apenas trouxesse
gaivotas sobre os cabelos
vento sol maresia
e o líquido que não bebemos
fosse conhac ou cerveja
mesmo assim a vida seja
entre o que os pêlos lateja
o que a tua boca não fala
o que a tua língua não prova
e a prova das dezessete
te levasse mais cedo
inda assim não tenha medo
a palavra entre meus dedos
é o que ainda não disse
miragem essa coisa nova
agora revisitada
naquela hora marcada
do encontro que não tivemos

mesmo que não permitas
que eu toque os lençóis da tua cama
ou desfaça este nó dos teus desvelos
mesmo que a astronomia
te leve a romper os astros
na miragem dos teus olhos
e eu nunca saiba exatamente
a cor dos teus cabelos
mesmo que a meta-física
salte da tela do cinema
e as algebras da tua física
te leve de mim embora
quero que este poema
no centro dos teus sentidos
fale nos teus ouvidos
do ser que me encontro agora






As flores do bem-me-quer

gaivotas perseguem peixes
quando estão com fome
a musa da minha janela
depois da prova de física
desfolha Charles Baudelaire

tem um jardim imaginário
no quintal desta metáfora
e um mar de algaravias
dentro dos olhos dela

percebo a flor da infância
bem-me-quer em teu cabelos
peixes que não são nuvens
girassóis fosse miragens
na veia algas marítimas
e uma fração logarítima
ainda por resolver

arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com/




"Keats também reclamou que Newton destruíra a poesia do arco-íris explicando-o. Por implicação mais geral, a ciência é o desmancha-prazeres da poesia, seca e fria, sem alegria, arrogante e carente de tudo o que um jovem romântico poderia desejar. Proclamar o oposto é um dos objetivos deste livro, e vou me limitar neste ponto à especulação não comprovável de que Keats, como Yeats, poderia ter sido até um poeta melhor, se tivesse recorrido à ciência em busca de inspiração." (DAWKINS, 2000, p. 49)

"Por fim, novamente em uma proposta sintonizada com os anseios de Snow, ele sugere que os cientistas deveriam procurar se comunicar com os poetas." (DAWKINS, 2000, p. 34/61).

"O título de seu último livro inspira-se num poema de Keats, escrito em 1820, onde o poeta lamenta que Newton tivesse destruído toda a poesia do arco-íris, reduzindo-o às cores prismáticas. Eis um trecho do poema Lamia, de Keats:Todos os encantos não se esvaemAo mero toque da fria filosofia?Havia um formidável arco-íris no céu de outrora:Vimos a sua trama, a textura; ele agoraConsta do catálogo das coisas vulgares.Filosofia, a asa de um anjo vais cortar,Conquistar os mistérios com régua e traço,Esvaziar a mina de gnomos, o ar do feitiço Desvendar o arco-íris [...]"(KEATS, apud DAWKINS, 2000, p. 64)

São trechos de uma artigo: "Física e Arte - Uma ponte entre duas culturas". Esse livro "Unweaving the Rainbow" do Dawkings, em português "Desvendando o Arco-Íris", deve ser muito bom !http://mail.fae.unicamp.br/~proposicoes/textos/49_dossie_zaneticj.pdf
http://mail.fae.unicamp.br/~proposicoes/textos/49_dossie_zaneticj.pdf


"(...) O objetivo do livro é mostrar para o leitor que a ciência não destrói, apenas descobre poesia nos padrões e leis da natureza. (...)"
Desvendando o Arco-íris - Wikipédia, a enciclopédia livre pt.wikipedia.org

Desvendando o arco-íris ("Ciência, Ilusão e encantamento") é um livro de Richard Dawkins, publicado em 1998 que discute a relação entre a ciência e a arte pela perspectiva de um cientista.




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