quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

veracidade

http://collagensfulinaimicas.blogspot.com




Porque trancar as portas
tentar proibir as entradas
se eu já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas?
um beija flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável
eu tenho fome de terra
e este asfalto sob a sola dos meus pés:
agulha nos meus dedos

quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo
entre o real e o imaginário:
João Guimarães Rosa Martins Fontes Caio Prado
um bacanal de ruas tortas
eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na cacomanga
matagal onde nasci
com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada
na carne da rua aurora

Artur Gomes SampleAndo
http://artur-gomes.blogspot.com/

sábado, 11 de dezembro de 2010

porrada lírica




Fulinaimagem


1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais

e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas dde amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim adimirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

arturgomes
http://goytacity.blogspot.com

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

pele grafia

da tua boca quero o beijo
desejo
que não seguro

já te perdi no passado
agora te tenho presente
mas não sei nosso futuro

do teu corpo
quero o cio
como nas prais do rio
seja mar onde quiser

na tua língua
a voragem
com toda sagaranagem
que entre teus seios
couber

que venha o sangue suor o fluxo
no teu pulsar onde pulso
nas ondas do teu impulso
esteja mar
onde estiver.

arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com/

meta metada







metade
da minha arte
tem tua mão
como meta
como parte
da linha reta
que a meta
da tua parte
pode ser
que esteja em marte
ou sendo terra
o planeta
onde deságua no rio
a água
que bebo
com sede
estando em
física ou quântica
e a tua
mão como parte
metade da minha meta
mesmo relatividade
da minha arte
a metade
junta na tua parte

arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cantinho do Poeta Quartas Culturais

Pontal


Dia 1 dezembro 21 horas
Encenação teatral com poemas de
Aluysio Abreu Barbosa, Adriana Medeiros,
Antônio Roberto(Kapi) e Artur Gomes.
com Artur Gomes, Yvi Carvalho e Sidney Navarro

Direção: Kapi
Local: Cantinho do Poeta
Rua Cardoso de Melo, 42 – Campos dos Goytacazes-RJ


a flor da pele – pontal foto grafia



Pontal Foto.Grafia

Aqui,
redes em pânico
pescam esqueletos no mar
esquadras – descobrimento
espinhas de peixe
convento
cabrálias esperas
relento
escamas secas no prato
e um cheiro podre no
AR

caranguejos explodem
mangues em pólvora
Ovo de Colombo quebrado
areia branca inferno livre
Rimbaud - África virgem –
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais
telhados bóiam nas ondas
tijolos afundando náufragos
último suspiro da bomba
na boca incerta da barra
esgoto fétido do mundo
grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas
Jerusalém pagã visitada
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Jesus Cristo não passou por aqui

Miles Davis fisgou na agulha
Oscar no foco de palha
cobra de vidro sangue na fagulha
carne de peixe maracangalha
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha?
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
fatal daqui Pernambuco
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Mallarmè passou por aqui

bebo teu fato em fogo
punhal na ova do bar
palhoças ao sol fevereiro
aluga-se teu brejo no mar
o preço nem Deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixo nos mangues
que mar eu bebo afinal?

arturgomes
leia mais aqui http://palavras-diversas.blogspot.com

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

com quantas miragens se faz uma metáfora?



menina passeando com cachorro - foto: artur gomes



moras no meu inconsciente
strela de estradas minhas
como entrou não sei como direis
quem sabre de mim como dirias
nessa nova estética mar de onde quirias
se estátuas jorram vinho pelos dedos
eu me estremeço ao ver teus lábios
soletrar este poema

os astros atuais já nascem tortos
strela de estradas minhas
miragens não tem fome
metáforas morrem de sede
e eu bebo nos céus da tua boca
a língua viva em tua fala
na escrita que não cessa
e leio as linhas do teu corpo
no desejo que ainda não confessa


meta metáfora no poema meta

como alcançá-la plena
no impulso onde universo pulsa
no poema onde estico plumo
onde o nervo da palavra cresce
onde a linha que separa a pele
é o tecido que o teu corpo veste

como alcançá-la pluma
nessa teia que aranha tece
entre um beijo outro no mamilo
onde aquilo que a pele em plumo
rompe a linha do sentido e cresce
onde o nervo da palavra sobe
o tecido do teu corpo desce
onde a teia que o alcançar descobre
no sentitdo que o poema é prece

arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com/

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Jura sereta 123




may minha jura mais que secreta



ainda que fosse
só poema
que não seja
a boca
que a minha deseja
palavra
que em tua língua
apavora
saliva como fala
onde.o fogo é falo
que a trilha descortina
na íris da retina
onde teu instinto
me devora

artur gomes
http://juras-secretas.blogspot.com/

tão pimenta tão petróleo



Nós in Bento Gonçalves


Um passeio pela vinícola Aurora


Tão pimenta tão petróleo


Os 3 primeiros vídeos mostram flashs de diversos momentos em Bento Gonçalves, filmados durante a realização do XVIII Congresso Brasileiro de Poesia. Em tão Pimenta Tão Petróleo Zeca Baleiro interpreta canção de Vital Lima sobre poema de Salgado maranhão, tendo ao fundo Érica Ferri, interpretando um poema de Artur Gomes

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

queimando em mar de fogo



Mariana Vergara filmada por Artur Gomes no Hotel Vino Cap em Bento Gonçalves, durante o XVII Congresso Brasileiro de Poesia e Artur Gomes, filmado por Jiddu Saldanha em Cabo Frio

EntreDentes

queimando em mar de fogo me registro
lá no fundo do teu íntimo
bem no centro do meu nervo brota
uma onda de sal e líquido
procurando a porta do teu cais

teu nome já estava cravado nos meus dentes
desde quando sísifo olhava no espelho

primeiro como mar de fogo
registro vivo das primeiras Eras
segundo como Flor de Lotus
cravado na poele da flor primavera

logo depois gravidez e parto
permitindo o Logus quando 0 amor quisera

arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

chegou alice para iluminar o mundo




meu mais lindo poema em carne e osso




Café Literário – Dia 14 às 18:00h
Bienal do Livro de Campos
Artur Gomes e Fabrício Carpinejar
Mediador: Dedé Muylaert
Leia mais aqui: http://artur-gomes.blogspot.com/

Olá Artur! Alguma poesia ainda persiste em respingar por estes ares, respinga no teu vídeo, nas plantas, na terra, nos muros pintados e mesmo nos alvos pixados que aí vi que comprovam a fome de expressão,da própria existência de muita gente que lacrimeja spray em paredes de olhares estranhos que mesmo caladas escutam o ressoar da poesia que fervilha em tua língua e de mais algumas bocas abusadas que se locomovem num ritmo certeiro fazendo flores nascerem no asfalto, e a poesia correr no sangue de alguma estátua perdida nesta multidão .....

Parabéns pelo seu trabalho e pela sua persitência sempre!

Bjus

Alcinéia Marcucci - Corumbataí-SP

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

isadora






a hora que o poema fala
a hora que o poema diz
a hora que poema é flauta
a hora que o poema é gaita
a hora que o poema é isto
a hora que o poema canta
a hora que o poema dança

isadora

a hora que o poema é lavra
a hora que o poema explora
a hora que o poema é pele
a hora que o poema é pluma
a hora que o poema é foto
grafia que a palavra escrita
na hora que o poema dita
a hora que o poema é vosso
e a musa do poema és tu.

artur gomes

domingo, 31 de outubro de 2010

Jura secreta 122

foto: beatriz bajo - musa da minha cannon


esse poema não secreto
muito menos sagrado
mesmo se jura fosse
entre a face de fogo
e os teus olhos beatriz
por onde leio teu livro
no sangue da tua face
a flor na pele de seda
em fragmentos de Dante
as letras sobre o papel
e teus poemas transbordam
rios entrando meus poros
por toda língua delírios
extravasa irrompe penetra

esse poema não secreto
feito em teus olhos beatriz
tensão dos músculos
cravados sobre a palavra
onde pulsa, a cada lavra
a tua coisa mais plena
e esta jura serena
como uma missa profana
e os cabelos da noite cigana
o canto do amor entre a boca
e o mar que em teus seios agita
a febre que queima em meus dedos
e na boca o teu nome palpita

arturgomes

http://pelegrafia.blospot.com/

o que a grande mídia não diz

pintura: alcinéia marcucci


leia aqui: http://goytacity.blogspot.com/





As flores do bem-me-quer

gaivotas perseguem peixes
quando estão com fome
a musa da minha janela
depois da prova de física
desfolha Charles Baudelaire

tem um jardim imaginário
no quintal desta metáfora
e um mar de algaravias
dentro dos olhos dela

percebo a flor da infância
bem-me-quer em teu cabelos
peixes que não são nuvens
girassóis fosse miragens
na veia algas marítimas
e uma fração logarítima
ainda por resolver

arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com/




Palavras Diversas

a palavra múltipla plural e solta
pelos céus da boca
sarcástica cínica amorosa
de drummond a guimarães rosa
de ferreira gullar a torquato neto
a pala/lavra do leminski
como um arquiteto
que constrói a própria casa
com o furor do fogo em brasa
com cimento tijolo argamassa
e que a massa compreenda
que a massa que transforma o pão
é a mesma que alimenta a massa
que o homem arquiteta
e a praça é o lugar pro seu delírio
a lira que mora dentro do poeta


jura secreta 121

ela me mantém
à distância dos meus braços
que mesmo esticados
não conseguem alcançá-la
no quarto do hotel eu tenho a fala
e digo
desejo o espaço do teu ventre
para proclamar os meus instintos
não minto
eu sinto
muito
que pena
se ainda não conseque
provar dos meus pecados
e se esconde entre hóstia e promessas
eu tenho pressa
quero engravidar-te de saliva
na língua
que escorre pelos anos
abrindo fenda em tuas costas

arturgomes
http://juras-secretas.blogspot.com/


Olá Artur! Realmente hoje se inicia uma nova manhã. Espero que a sensibilidade feminina de nossa futura presidente unidas a determinação e coragem que nos aparentou ter, ajudem-a a descobrir meios de de ensinar nosso povo a "pescar" um futuro com dignidade mantendo os olhos abertos e o corpo pulsando em novos ideais para o bem dos que virão!

Adoro estes teus vídeos em que destaca o mar, a loucura do cotidiano e os pássaros como no Algazarra, mostrando um balé em perfeita sincronia com a música, a poesia a vida e os sonhos que confortam a alma e as crias das mentes, que, vazias não viveriam muito tempo intactas de frente a fome do "ter" que nos cercam por todos os lados numa apetite feroz muitas vezes banalizando o extinto artístico!!!

Espero que curta o quadro, de início iria pintar a representação de um trecho seu que ali escrevi, mas apaguei os riscos e pintei o sorver poético, surreal e feitiçeiro que existe escondido nestas suas poesias. Uma linda semana para ti!

Alcinéia Marcucci - Corumbataí-SP
Bjus

sábado, 23 de outubro de 2010

Porque Hoje é Sábado

Primavera do Livro no Museu da República hoje a partir das 20:horas Festival Carioca de Poesia, com Chacal, Mano Melo, Tavinho Paes e Henrique Alves com curadoria de Suzana Vargas. Vamos lá.


Rio em pele feminina



alguma poesia

I

não. não bastaria a poesia deste bonde
que despenca luanos meus cílios
num trapézio de pingentes onde a lapa
carregada de pivetes nos seus arcos
ferindo a fria noite como um tapa
vai fazendo amor por entre os trilhos

II

não. não bastaria a poesia cristalina
se rasgando o corpo estão muitas meninas
tentando a sorteem cada porta de metrô
e nós poetas desvendando palavrinhas
vamos dançando uma vertigem no tal circo voador.

III

não. não bastaria todo riso pelas praças
nem o amor que os pombos tecem pelos milhos
com os pardais despedaçando nas vidraças
e as mulheres cuidando dos seus filhos.

IV

não bastaria delirar Copacabana
e esta coisa de sal que não me engana
a lua na carne navalhando um charme gay
e um cheiro de fêmea no ar devorador
aparentando realismo hiper-moderno
num corpo de anjo que não foi meu deus quem fez
esse gosto de coisa do inferno
como provar do amorno posto seis
numa cósmica e profana poesia
entre as pedras e o mar do Arpoador
mistura de feitiço e fantasia
em altas ondas de mistérios que são vossos

V

não. não bastaria toda poesia
que eu trago em minha alma um tanto porca
este postal com uma imagem meio Lorca:
um bondinho aterrizando lá na Urca
e esta cidade deitando água em meus destroços
pois se o cristo redentor deixasse a pedra
na certa nunca maisrezaria padre-nossos
e na certa só faria poesia com os meus ossos

arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/

terça-feira, 19 de outubro de 2010

XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA HOMENAGEIA FERREIRA GULLAR




Pela primeira vez nos últimos quinze anos o Congresso Brasileiro de Poesia não é realizado na primeira semana de outubro e sim, no final do mês. A edição deste ano acontece de 25 a 29, na cidade de Bento Gonçalves e homenageará os 80 anos de Ferreira Gullar.

Como já é tradição, mais uma vez a Capital Brasileira da Uva e do Vinho abrirá suas portas para a caravana de poetas que participarão da décima-oitava edição do Congresso Brasileiro de Poesia, um dos maiores encontros de poetas da América.

Tendo como tema “O viajante da Poesia”, em homenagem ao poeta Ferreira Gullar, aproximadamente cento e cinquenta poetas dos mais diversos estados brasileiros e de alguns países já confirmaram presença e participarão de uma programação diversificada com muitos recitais, performances, rodas de poesia, espetáculo teatral, palestras nas escolas e debates sobre as diversas formas do fazer poético.

A abertura do evento acontece no Salão Nobre da Prefeitura Municipal às 17 horas do dia 25, com performance do grupo carioca “Simplesmente Poesia” e um recital em homenagem ao poeta Oscar Bertholdo, por parte de alunos da Escola Estadual Dona Isabel, além do poeta Artur Gomes interpretando o poema Não Há Vagas, do homenageado Ferreira Gullar.

À noite, no anfiteatro Ivo Da Rold, na Fundação Casa das Artes, acontece mesa redonda sobre a obra do poeta Ferreira Gullar, coordenada por Eduardo Tornaghi, seguida de performance e recital poétco.

A partir da manhã de terça-feira, as atividades acontecerão no auditório do SESC, Biblioteca Municipal, Vai Del Vino e nas escolas do município.

Escolas continuam sendo prioridade do evento

Trinta e duas escolas do município participarão do evento deste ano, recebendo os poetas em suas dependências e doze delas deslocarão alunos para participar de atividades que acontecerão nas dependências do SESC. Os poetas também irão ao Presídio Municipal, APAE, Lar do Ancião, Centro de Atenção Psico-Social e ao Hospital Tacchini.

Entre os principais projetos que tradicionalmente compõem a programação oficial do evento destacam-se: “Poesia na vidraça” (que começa a ser executado já na terça-feira, dia 19, e consiste na utilização das vitrines das lojas do centro da cidade para exposição de poemas de autores brasileiros), “Poesia numa hora dessas?” (quando poetas apresentam recitais em repartições públicas e privadas), “Uma idéia tece a outra” (realizado na Biblioteca Municipal e que consiste no ‘empréstimo’ de um poeta a uma turma de alunos), além das tradicionais rodas de poesia na Via del Vino.

Recitais deverão fazer a diferença

Os organizadores mais uma vez apostam na realização de recitais de diversas correntes poéticas para garantir o sucesso dos eventos. Neste ano, dividirão o palco do SESC e de algumas escolas performances poéticos dos estados do Amapá, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul além de México, Chile e Uruguai.

No palco do SESC, além do grupo “Poesia Simplesmente” E “Tatamirô”, também apresentarão recitais e performances os seguintes poetas: Renato Gusmão, Marcos Bahrone, Artur Gomes e May Pasquetti,veja o vídeo: Se for poema fogo do desejo – Artur Gomes e May Pasquetti, filmados por Jiddu Saldanha no parque das Ruínas – Santa Teresa – Rio de Janeiro



E mais Dalmo Saraiva, Jiddu Saldanha, Telma da Costa, Edmilson Santini, Tanussi Cardoso e Delayne Brasil, Casa do Poeta de Camaquã, Casa do Poeta Latino-Americano, Confraria Cappaz e Comunidade Poemas à Flor da Pele.

Junto com o XVIII Congresso Brasileiro também serão realizados o XVIII Encontro Latino-Americano de Casas de Poetas, a XV Mostra Internacional de Poesia Visual, neste ano coordenada pelo poeta português Fernando Aguiar, e o XXI Salão Internacional de Artes Plásticas do Proyecto Cultural Sur/Brasil, organizado pela AAPLASG.

O evento é promovido pela Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves, através da Secretaria Municipal de Educação, SESC e é realizado pelo Proyecto Cultural Sur/Brasil. O apoio é da Câmara de Vereadores e Sindilojas.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Chico Buarque e Leonardo Boff chamam artistas e intelectuais para manifesto por Dilma Presidente, no Rio de Janeiro, dia 18/10



Chico Buarque e Leonardo Boff chamam artistas e intelectuais para manifesto por Dilma Presidente, no Rio de Janeiro, dia 18/10

por Gabriel M. http://www.viomundo.com.br/Petrus,


Um grupo de artistas e intelectuais liderados por Leonardo Boff, Chico Buarque, Emir Sader, Eric Nepumuceno está articulando adesões ao manifesto abaixo de apoio político a eleição de Dilma Roussef.

Se você puder aderir agradeceríamos muito: mande sua adesão para emirsader@uol.com.br ; ericnepomuceno@uol.com.br

E, se você puder, divulgue aos seus amigos do Rio para participarem do ATO POLÍTICO de entrega do manifesto à candidata, no Teatro CASA GRANDE, dia 18 de outubro, às 20 hs. (Rua Afrânio de Mello Franco, 290- Leblon- Rio de janeiro).


MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS PRO DILMA

Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff.

Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimento econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.

Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desigualdade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.

Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.

Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.

Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado.

Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff.

É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.

Leonardo Boff
Chico Buarque
Fernando Morais
Emir Sader
Eric Nepumuceno
Federico Baudelaire

Com quantas metáforas se faz uma miragem











ainda que fosse viagem
de metrô ou fantasia
e o assunto que eu mais queria
fosse o que não dissesse
e o mar apenas trouxesse
gaivotas sobre os cabelos
vento sol maresia
e o líquido que não bebemos
fosse conhac ou cerveja
mesmo assim a vida seja
entre o que os pêlos lateja
o que a tua boca não fala
o que a tua língua não prova
e a prova das dezessete
te levasse mais cedo
inda assim não tenha medo
a palavra entre meus dedos
é o que ainda não disse
miragem essa coisa nova
agora revisitada
naquela hora marcada
do encontro que não tivemos

mesmo que não permitas
que eu toque os lençóis da tua cama
ou desfaça este nó dos teus desvelos
mesmo que a astronomia
te leve a romper os astros
na miragem dos teus olhos
e eu nunca saiba exatamente
a cor dos teus cabelos
mesmo que a meta-física
salte da tela do cinema
e as algebras da tua física
te leve de mim embora
quero que este poema
no centro dos teus sentidos
fale nos teus ouvidos
do ser que me encontro agora






As flores do bem-me-quer

gaivotas perseguem peixes
quando estão com fome
a musa da minha janela
depois da prova de física
desfolha Charles Baudelaire

tem um jardim imaginário
no quintal desta metáfora
e um mar de algaravias
dentro dos olhos dela

percebo a flor da infância
bem-me-quer em teu cabelos
peixes que não são nuvens
girassóis fosse miragens
na veia algas marítimas
e uma fração logarítima
ainda por resolver

arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com/




"Keats também reclamou que Newton destruíra a poesia do arco-íris explicando-o. Por implicação mais geral, a ciência é o desmancha-prazeres da poesia, seca e fria, sem alegria, arrogante e carente de tudo o que um jovem romântico poderia desejar. Proclamar o oposto é um dos objetivos deste livro, e vou me limitar neste ponto à especulação não comprovável de que Keats, como Yeats, poderia ter sido até um poeta melhor, se tivesse recorrido à ciência em busca de inspiração." (DAWKINS, 2000, p. 49)

"Por fim, novamente em uma proposta sintonizada com os anseios de Snow, ele sugere que os cientistas deveriam procurar se comunicar com os poetas." (DAWKINS, 2000, p. 34/61).

"O título de seu último livro inspira-se num poema de Keats, escrito em 1820, onde o poeta lamenta que Newton tivesse destruído toda a poesia do arco-íris, reduzindo-o às cores prismáticas. Eis um trecho do poema Lamia, de Keats:Todos os encantos não se esvaemAo mero toque da fria filosofia?Havia um formidável arco-íris no céu de outrora:Vimos a sua trama, a textura; ele agoraConsta do catálogo das coisas vulgares.Filosofia, a asa de um anjo vais cortar,Conquistar os mistérios com régua e traço,Esvaziar a mina de gnomos, o ar do feitiço Desvendar o arco-íris [...]"(KEATS, apud DAWKINS, 2000, p. 64)

São trechos de uma artigo: "Física e Arte - Uma ponte entre duas culturas". Esse livro "Unweaving the Rainbow" do Dawkings, em português "Desvendando o Arco-Íris", deve ser muito bom !http://mail.fae.unicamp.br/~proposicoes/textos/49_dossie_zaneticj.pdf
http://mail.fae.unicamp.br/~proposicoes/textos/49_dossie_zaneticj.pdf


"(...) O objetivo do livro é mostrar para o leitor que a ciência não destrói, apenas descobre poesia nos padrões e leis da natureza. (...)"
Desvendando o Arco-íris - Wikipédia, a enciclopédia livre pt.wikipedia.org

Desvendando o arco-íris ("Ciência, Ilusão e encantamento") é um livro de Richard Dawkins, publicado em 1998 que discute a relação entre a ciência e a arte pela perspectiva de um cientista.




sábado, 16 de outubro de 2010

as flores do bem-me-quer

algazarra


esfinge

gaivotas perseguem peixes
quando estão com fome
a musa da minha janela
depois da prova de física
desfolha Charles Baudelaire

tem um jardim imaginário
no quintal desta metáfora
e um mar de algaravias
dentro dos olhos dela

percebo a flor da infância
bem-me-quer em teu cabelos
peixes que não são nuvens
girassóis fosse miragens
na veia algas marítimas
e uma fração logarítima
ainda por resolver

arturgomes

http://pelegrafia.blogspot.com

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

porrada lírica

Porrada llírica


bolero blue

beber desse conhac
em tua boca
para matar a febre nas entranhas
entre os dentes
indecente é a forma
que te bebo como ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo
é que a fome desse beijo
furta quaquer outra palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne que não sai

arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com/

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

jura secreta in saquarema





meus lábios em teus ouvidos
flechas netuno cupido
a faca na língua a língua na faca
a febre em patas de vaca
as unhas sujas de Lorca
cebola pré sal com pimenta
tempero sabre de fogo
na tua língua com coentro
qualquer paixão re/invento

o corpo/mar quando agita
na preamar arrebenta
espuma esperma semeia
sementes letra por letra
na bruma branca da areia
sem pensar qualquer sentido
grafito em teu corpo despido
poemas na lua cheia

arturgomes
http://musadaminhacannon.blogspot.com/

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

fulinaímicas

artur gomes http://collagens fulinaimicas.blogspot.com

jura secreta in saquarema
tuas vértebras sob o sol
as costas descobertas
para o amor que se entrega.

arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Jura secreta 118

essa estrada que vai dar
no mar dos teus mistérios
ou
essa estrada que vai dar
no mar dos teus silêncios
ou
apenas o caminho para o mar
na coluna vertebral
dos teus suplícios
ou
o poema puro ofício
de te oferecer amor, meu vício
e te querer estrada. Sim

eu
poderia abrir teu corpo
com os meus dentes
rasgar panos e sedas

da tua cama
arrancar os cobertores
desatar todos os nós

com as unhas
arranhar os teus pudores
rasgando as rendas
dos lençóis

perpetuar a ferro e fogo
minhas marcas no teu útero
meus desejos imorais

mal/dizendo
a hora soberana
com a força sobre/humana
dos mortais

quando vens me oferecer
migalha e fruto
como quem dá de comer
aos animais

arturgomes
http://carnavalhagumes.blogspot.com

sábado, 21 de agosto de 2010

Viagem InterPoética



poundiana


1
quem és tu
uilcon pereira
?
que foste fazer na sorbone
ter aulas com Sartre
ou cantar a simnone?


2

torquato era um poeta
que amou a ana
leminski profeta
que amou Alice
um dia pós
veio uilcon torto
pegou a jóia Diana
juntou na pereiralice
com o corpo e alma das duas
foi beuvoir assombradado
pra lá de frança ou bahia
roendo o osso do mito
pois tudo que Sartre dizia
o anjo jurou já ter dito
nonada:
biúti ria!

artur gomes
In a traição das metáforas
http://braziliricas.blogspot.com

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

jura secreta 116


para carolina zimerman

nossas palavras escorrem
pelo escorrer dos anos
estradas virtuais
fossem algaravias
nosso desejo que não se concreta

e
eu tenho a fome entre os dedos
a sede entre os dentes
e a língua sobre a escrita
que ainda não fizemos

e o que brota desse amor latente
se o desejoé tua boca
no lençol dos dias?

arturgomes
http://jutras-secretas.blogspot.com/

Olá poeta adoidado que destrambelha as palavras entre os dias corridos de surpresas e incertezas da multidão! Você sabe que aprecio seus vídeos e de março para cá, depois de provar o sabor de suas poesias, meu gosto ficou bem mais exigente e perceptivo, mesmo porque para mim de nada vale uma Arte simplesmente decorativa ou que grite, rasgue os verbos soltando no ar apenas o que a sociedade quer ouvir, de nada valeria, continuaria muda por aí.

A Arte está no caminho que você segue, tocando as feridas, abrindo novos olhares para a realidade que se dissolve entre elementos simples escondidos dentro de nós mesmos, mas que muitas vezes ficam sufocados nas sombras que nos cercam. A Arte falada, de trabalhar as palavras entre os beiços molhados, sempre estará no limite do êxtase pois ela se abriga na ponta da arma mais perigosa dos homens que é a própria língua,risos..., que pode atirar sonoridade no ar libertando toda expressão e pensamento dos corpos vivos que não suportariam vegetar pelos cantos calados.

Adorei e adorei esta mistura sonora e platônica das palavras do vídeo que se misturam de forma irônica fazendo cócegas nos ouvidos dos que a ouvem e nas mãos de quem as escrevem para se soltarem livres gargalhando por entre estes grandes espaços sedentos de alguns goles de expressão. Um lindo final de semana! E desculpa mais uma vez por eu escrever demais risos... nem coube aí em baixo, é que penso para me deparar com os dedos de frente em um teclado de computador, eles parecem uma metralhadora ,risos....
vê se pode?

Alcinéia – Corumbataí-RS

terça-feira, 17 de agosto de 2010

fulinaimagem



1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais

e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas dde amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim adirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

2

o que trago embaixo as solas dos sapatos
é fato. bagana acesa sobra do cigarro
é sarro. dentro do carro
ainda ouço Jimmi Hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll

pra colher lírios
há que se por o pé na lama
a seda pura foto-síntese do papel
tem flor de lótus
nos bordéis Copacabana
procuro um mix da guitarra de Santanna
com os espinhos da Rosa de Noel.

arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/

Olá Artur, lindo o vídeo! É extasiante ver como sua poesia vai de alma lavada e meio que descarada perâmbulando por aí! Entre imagens líquidas dos mares e o concreto sólido das ruas e casas é irônico ver os verbos se rasgando, palavras bem salivadas se desmanchando entre os dentes e sendo estilhassadas entre faces quentes e geladasda multidão, entre ouvidos pálidos e vazios dos dias lotados e cheios mas muitas vezes sem cor e sabor!

Muito legal!

Continue destrinchando sua poesia por estes ares e mares, para os mortais dela um pouco provarem, afinal, ela é este sabor poético da vida embaralhado em palavras....Uma linda semana para ti!

Abraço - Alcinéia - Corumbataí-SP

Uau!!! Lindo demais... o vídeo Artur. adorei! rs... esse teu poema me emociona muito, sabia? Você escreveu esse poema de uma forma particularmente parecida com a que eu gosto de escrever. Muito legal isso!!!! Ainda vou retribuir seu presente à altura! rs

Beijos

Jiliana Inhasz - São Paulo-SP

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Jura secreta 112




a faca entre
os teus dentes
na gengiva sangra
trafego em angra
pela ilha grande


e
os teus olhos
ainda estão na praia
arraia fêmea
prenhe pelo macho

não vejo olgas

algas me roçando
as coxas
me lambendo acima
do umbigo
embaixo
arturgomes

segunda-feira, 19 de julho de 2010

jura secreta 19




a lavra da palavra quero
quando flor pluma
mesmo sendo espora

felicidade uma palavra
onde a lavra explora

se é saudade dói mas não demora
e sendo fauna linda como a flora
lua luanda vem não vá embora

se for poema fogo do desejo
quando for beijo que seja como agora

a lavra da palavra quero
onde Mayara bruma já me diz espero
saliva na palavra espuma

onde tua lavra é uma
elétrica pulsação de Eros

a dança do teu corpo vero
onde tua alma luna
e meu corpo impluma
valsa por laguna
em beijos e boleros

http://pelegrafia.blogpsot.com/

sexta-feira, 16 de julho de 2010

jura secreta 115













papel de prata
sobre a terra
berra
mata que se foi
agora seca estrada
poeira
água pouca
sede farta
tudo plástico
arame farpado
restos de casa
lâmina
papel mordaça
pele grafia
e pó

arturgomes
experimentaçõesinterlinguagens

quinta-feira, 1 de julho de 2010

para heloisa curzio



entre as cores de frida
me kalo
heloísa na curva do abstrato
muito mais que conreto
pincel em transe
tintura em convulsão
eu
que não tenho dedos de aço
muito menos nervos de chumbo
me deito sobre a relva
deixo percorrer a neblina
do nariz
ao dedo grande do pé
todo o corpo fios de cobre
e os olhos na tela
grudados nas dela
belas curvas da mulher
artur gomes

terça-feira, 29 de junho de 2010

jura Não secreta













roberta agora
só se for cainelli
bruna só se for polleto

vestido
pode ser a própria pele
que cobre
a nudez do esqueleto

o beijo agora
só se for ao vivo
e-mail só se for inteiro

fantasia só se for de tanga
camila só se for pitanga
carnaval
a gente curte em fevereiro



artur gomes
fulinaíma blues poesia




jura secreta 113

lembro-me numa noite
de um hotel em porto
desenhei teu corpo
maduragada a dentro
e o poema agora
transporta-me ao instante
em que o pincel em brasa
jorra tinha no teu centro
e no teu corpo/casa
abro a porta e entro
passeando os flancos
pele nuas costas
o meu pincel de carne
em teus mamilos brancos
desagua nos teus olhos
até roçar teus dentes

no espelho em frente
vejo tuas ancas
entre as minhas coxas
tuas coxas brancas
o dedo em teus gemidos
até roçar teu ventre
no teu mar em fogo
todo gozo é festa
nos lençóis de linho
o que restou do mangue
e o calor no sangue
do teu leite quente

arturgomes

isadora




onde teus pés
bailarina dançam
cato os vestígios do tempo
onde teus olhos
bailarina olham
um gato
passeia no teu colo
e na vidraça
o giz derrama poesia
escritas
com punhos de ontem
em tua cidade
de serras
onde teus braços
bailarina sustentam
tuas mãos
que colhem uvas
coloco águas
de chuva
para que teus vinhedos
não cessem
estejam sempre
em meus caminhos
e deles brotem
da flor o fruto sagrado
e os teus segredos
guardados
entre os teus lábios
de vinho

arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/





segunda-feira, 28 de junho de 2010

jura secreta 16

fosse essa menina monalisa
ou se não fosse apenas brisa
diante da menina dos meus olhos
com este mar azul nos olhos teus

nem sei se MichelÂngelo DaVinci
Dali ou Portinari
te anteViram no instante maior
da criação

pintura de um arquiteto grego
ou quem sabe até filha de Zeus
e eu Narciso amante dos espelhos
procuro um espelho em minha face
para ver se os teus olhos
já estão dentro dos meus


artur gomes


quinta-feira, 24 de junho de 2010

o sem nome

não quero o silêncio
como arma
lira lero
de algum bolero
com letra
pra calar boca
água fria no fogo

quero o incêndio
a fogueira
sei o quanto me negas
o fruto proibido

mas oculto na noite
entro por porta dos fundos
e roubo
a maçã do pecado
enquanto dorme
e sonhas
com alices
no país das maravilhas


mergulho tuas ilhas
devasto teus porões
na sala
derrubo tua mobília
no quarto
devasso teus colchões

na cozinha
bebo do teu vinho
e como do teu pão
não tenho nome
sou o que te come
sem pedir perdão


a vingança do vampiro brasileiro

a rosa apodreceu
no jardim das oliveiras
o encravo
deu com a cara no muro
do palácio guanabara

a filha
tem duas caras
aos domingos reza pro santo
nas sextas
pro capataz
há muito tempo meu chapa
venderam a mãe pro diabo
pensando fosse capaz


louvação
singela oração aos blogueiros desocupados

1

no dia 6 de agosto
cachorro que soy louco
com gosto
vou louvar o meu
senhor

2

salve-me
santíssimo salva/dor
da dor
do horror desta cidade
que um dia foi
dos goytacazes
mortos por urubus
da terra alheia

3

santíssimo
salva/dor
salve-me da santa ceia
salve-me
das virgens de pedra
das santas que não são fedras
as “padroeiras” do Brasil

4

salve-me
santíssimo salva/dor
da feracidade horrorosa
sal-ve-me
do encravo e da rosa
dos carnavais
no mês de abril

5

pro diabo
não sou santo
nem visto o corpo com manto
soy
couro cru & carne viva
soy
carne viva & couro cru
não tenho a língua
que medra
soy carNAvalha
na piedra
my sagrado y profano
aprendiz de los hermanos
canibais lá do xingu

6

não tenho amor pelas santas
meu sangue corre nas plantas
em minhas mãos
esmeril
mas tenho amor pelas putas
a prostituta que pariu

7

santíssimo
salva/dor
salve-me da dor
do desgosto
de desfraudar mês
agosto
bandeiras tropicanalhas
salve-me
das catequeses
dos evangélicos pastores
de amores
de sacristia
salve-me da hipocrisia
planalto central
céu azul

salve-me
deste país
e deste estado de surto
se é pra xingar
não me furto
na flor da pele não tem panos

salve-me
destes tiranos
dos campos
da américa do sul

arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com
canibália city
http://goytacity.blogspot.com

terça-feira, 22 de junho de 2010










jura secreta 112

a faca entre
os teus dentes
na gengiva sangra
trafego em angra
pela ilha grande

e
os teus olhos
ainda estão na praia
arraia fêmea
prenhe pelo macho

re/leio olga

algas me roçando
as coxas
me lambendo acima
do umbigo
embaixo

arturgomes
juras secretas

sábado, 19 de junho de 2010

bela mais que bela

ninguém sabe o nome dela


1


bebo em teus olhos serenos
o líquido que ele olha
minha língua molha
onde a tua bebe


música
que chove lá fora


2


este piercing
em teu nariz
me dói
não ser meus dedos


poemas em tua boca
pronomes em tua fala
por entre cores e nomes


um disco de Cássia Eller
tocando na tua sala



3


dama da noite
bela
onde será teu endereço?


cão vadio que sou
vou latir em tua porta
proteger tua morada


catar estrelas cadentes
brincar de são Jorge na lua
onde mordo o dragão da maldade
e te beijo vestida de nua



a flor da pele

a pele
do teu nome
a flor da pele
l no início
lavra de tudo
o que palavra
é fonte
lírios são teus olhos
girassóis
teus cílios
vento
em desmantelo
pétalas de luz
teus pêlos
onde o poema
canta
pra alvoroçar
os teus cabelos

artur gomes
http://artur-gomes.blogspot.com/

sexta-feira, 11 de junho de 2010


sofia neta e musa - fotos: artur gomes



















Jura secreta 14



eu te desejo flores lírios brancos
margaridas girassóis
rosas vermelhas
e tudo quanto pétala
asas estrelas borboletas
alecrim bem-me-quer e alfazema


eu te desejo emblema
deste poema desvairado
com teu cheiro teu perfume
teu sabor teu suor tua doçura


e na mais santa loucura
declarar-te amor até os ossos


eu te desejo e posso :
palavrArte até a morte
enquanto a vida nos procura


artur gomes

quarta-feira, 9 de junho de 2010

bela mais que bela






sensualidade em tua boca
é mato
eu sei do fato que me prende
ao teu sorriso
o siso que me atrai
quando atiça

larissa tens no nome
miranda o sobrenome

na película do meu filme
quero tua pele no acetato

e
na cardiografia do poema
te foto grafo no cinema
para o meu álbum de retrato


maralto

não entre
neste mar
em tempestade

as gaivotras
sobrevoam
a praia
e só mergulham
quando o mar
está pra peixe

teu corpo
não merece
os dentes
de tubarões famintos

tua carne
é hóstia
para outras missas

o teu sangue
vinho
para outros
dentes

segunda-feira, 31 de maio de 2010

tecidos sobre a pele


as marcas do homem no planeta: - fotos: artur gomes






































Terra
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua da minha boca
não cubra mais tua ferida


entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
e minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha


amada
de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca
no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio


o que me dóié ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos por fidelidade


ó terraincestuosa de prazer
e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro à fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante


minha terra
é de senzalas tantas
entrerra em ti
milhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões
a voz que tenta - avança
plantada em ti
como canavial que a foice corta

mas cravado em ti
me ponho a luta
mesmo sabendo - o vão
- estreito em cada porta


Usina
mói a cana
o caldo
e o bagaço

Usina
mói o braço
a carne
o osso

Usina
mói o sangue
a fruta
e o caroço

tritura
suga
torce

dos pés até o pescoço

e do alto da casa grande
os donos do engenho
controlam: -

o saldo e o lucro.

Artur Gomes

canibália city



não sei se febre água fogo fala

bala apontada
na boca do gatilho

o olhar explode dinamite
no embrião do caos


de que feito esta cidade?
ela atravessa a grana pro marido

eu me deserto
me entorto
trago a língua endiabrada
dentro a boca
não me travo

a polícia implode
mais um bunker na favela
o senado vota
a decisão pro ficha limpa

agora me pergunto:
o que é que o marido
vai fazer com ela?

Artur Gomes
http://goytacity.blogspot.com/

bela mais que bela qual será o nome dela?






coloco em tuas mãos
quatro rosas de vento
skol vodka ice
e um desejo abstrato
nesse poema concreto

deixo em tuas mãos
a flor e o objeto
além meus olhos sedentos
nestes teus dedos de louça








lavra/poema

todos os poetas
já cantaram suas musas:

mayara bethânia clarice
alice bárbara isadora

qual o nome
que ainda
não disse
na lavra
do poema
agora


artur gomes
http://artur-gomes.blogspot.com/

quarta-feira, 26 de maio de 2010

foto pele grafia



meus lábios em teus ouvidos
flechas netuno cupido
faca na língua língua na faca
a febre em patas de vaca
unhas sujas de Lorca
cebola pré sal com pimenta
na tua língua com coentro
tempero sabre de fogo
qualquer paixão reinvento

o corpo/mar quando agita
na preamar arrebenta
espuma/esperma semeia
sementes letra por letra
na bruma branca da areia
sem pensar qualquer sentido
grafito em teu corpo despido
poemas na lua cheia

arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com/


brazilíricas

um tapa no branco
tragado no preto
como instante opus
ópio de pessoa
como fiapo de manga
entrelaçado nos dentes